sexta-feira, 30 de abril de 2010

QUE UNIVERSIDADE?


Sensação térmica de 50º nas salas de aula, seis meses sem giz, pessoal trabalhando no escuro para economizar energia elétrica e cumprir plano de metas. Essa é um pouco a situação vivida por professores, servidores técnico-administrativos e estudantes da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e que foi relatada durante entrevista coletiva organizada e concedida hoje de manhã pela Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Montes Claros (Adunimontes).

“Nós temos um cenário que não é um cenário novo”, declarou Isabel Brito, integrante da Diretoria da Assessoria de Comunicação da Adunimontes. Ela também é professora do Departamento de Ciências Sociais desta universidade. Doutoranda pela Universidade de Brasília (UnB), Isabel Brito observou que a Unimontes é a única universidade pública de Minas. Apesar de existir a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), esta já é uma espécie de parceria público-privada. Em Minas, são 13 universidades federais e uma estadual.

“No Sul e no Nordeste do Brasil, temos universidades fortes”, indicou ao chamar a atenção para a importância da Unimontes para o Norte de Minas. “Temos curso de música com mais de 20 anos e funciona em três salas precárias”, denunciou. “Os alunos não podem cantar porque incomoda”, revelou. “Nós estamos em greve por indignação e pela falta de respeito com a educação. Não temos um plano diretor. Aceitamos péssimas condições de trabalho. Os servidores ganham muito pouco. Os estudantes não têm assistência. Estamos ainda longe do potencial que temos”, considerou a professora.

Fundações

Isabel Brito solicitou transparência das fundações que são criadas para desburocratizar os processos licitatórios de pedidos de serviço das universidades. No caso da Unimontes, a Fundação de Apoio ao Ensino Superior do Norte de Minas (Fadenor) é a responsável por essa área e deveria, segundo ela, “bancar pesquisas” e ser “prestadora de serviços” da instituição. “A Fadenor não financia nada”, afirmou. “Os nossos estudantes têm que trabalhar no comércio para ganhar R$ 510 e estudar à noite”, contou. “A única coisa que a Unimontes oferece ao professor é uma sala precária, sem giz”, completou.

No que diz respeito ao incentivo à pesquisa, a professora citou o caso da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), que fornece R$ 1.600 para professores se aventurarem em doutorados. “O próprio Estado não reconhece o professor”, lamentou. Enquanto um funcionário terceirizado da Unimontes ganha para trabalhar R$ 1.300, um auxiliar administrativo universitário recebe pelo trabalho de 30 horas semanais de R$ 349 a R$ 474, com auxílio-transporte de R$ 31,50, auxílio-refeição de R$ 52,50 e R$ 0,25 de abono-família.

Setenta por cento do corpo docente da Unimontes é originário de designações. A alternativa para o Governo do Estado foi efetivar esse pessoal. Trinta por cento dos professores são efetivos, sem levar em consideração as pessoas que são contratadas como professores, mas que não atuam na função. A Unimontes inicia este ano o seu oitavo mestrado próprio sem ter espaço na universidade. Salas são improvisadas para atender a demanda da região e exigências educacionais. No Mestrado em Letras, foi preciso pedir materiais emprestados para desenvolver o trabalho. E a tendência é a situação piorar com este projeto de pós-graduação “Universidade Aberta do Brasil”, que é o ensino à distância.

Perspectivas

A greve dos professores, servidores técnico-administrativos e estudantes da Unimontes começou a ficar mais forte neste mês e pode se estender até o dia 03 de julho, caso o Governo Estadual não execute as reivindicações das três categorias. De acordo com a legislação sobre greve aplicada ao serviço público e que utiliza parâmetros para julgar cada caso, no Artigo 7º da Lei 7.783 de 28 de junho de 1989, é proibida a substituição de servidores grevistas.

Postado por Solidariedade Igualdade Fraternidade no IMPARCIALIDADE OU FRIEZA em 4/28/2010 06:53:00 PM

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